Beagle

Beagle

Inteligente e Caçador

(Bruce of Green Day – padreador)


O Beagle é atualmente uma raça muito falada, mas mal conhecida. É comum ouvirmos comentários pejorativos a seu respeito, até mesmo por veterinários e cinófilos. É um erro caracterizarmos um comportamento degenerado como sendo o padrão da raça. Quem já teve a feliz oportunidade de conviver com um Beagle “normal”, sabe que esta raça possui um temperamento extremamente estável. Sempre alegre (isto não significa agitado ou excitado), sempre de bem com a vida. Jamais ouvimos falar de um Beagle que tenha mordido uma criança. Para que chegue a isto, é preciso que seja levado aos limites de sua paciência. Existem poucas raças mais dependentes de crianças do que esta.

Levados? Certamente que são. Mas este é o verdadeiro caráter de um Hound. E quem os queria de outra forma?

Temos encontrado alguns cães com alterações de comportamento. As principais razões para isto são:
1- A desinformação dos novos proprietários, que na maioria das vezes, compram seus cães baseados somente no tamanho e facilidades nos cuidados gerais. Não tendo feito uma pesquisa prévia sobre o comportamento da raça e nem obtido informações sobre o canil de onde o filhote veio.

2- O aumento desordenado da raça criada por “pseudo-criadores “, em sua maioria hábeis nos negócios, mas incapazes de respeitar as condições físicas e psicológicas de um cão.

3- Uma vez que a personalidade de um cão é influenciada tanto pelo código genético quanto pelo meio ambiente, a responsabilidade pelo equilíbrio emocional de um Beagle, começa nas mãos do criador e continua nas mãos do novo dono.

4- A meta de um bom criador é manter um programa de criação honesto, de maneira que a preservação da qualidade de seus cães se reflita não somente nas pistas de exposição, mas principalmente, nas casa onde seus exemplares irão morar. É comum ouvirmos criadores fazendo verdadeiros discursos a respeito dos pedigrees de seus cães. Porém, se o único critério de criação for a conformação anatômica, estaremos criando verdadeiros delinqüentes caninos.

É importante, portanto, que o leigo tome conhecimento de alguns fatores antes de comprar um filhote.

É preciso que o cão tenha tido respeitado pelo criador, o período de sociabilização, que começa por volta da terceira semana e se estende até aproximadamente, os 2 a 3 meses de vida. Isto significa, que o filhote só deve ser entregue ao novo dono, com no mínimo 50 dias de vida. Nesta fase, Ter contato com outros cães, com pessoas diferentes, aprender a obedecer a uma hierarquia do grupo, são experiências que farão do filhote um Beagle equilibrado na vida adulta.

Se o criador desmamar o Cãozinho cedo demais e tirá-lo do contato com os outros cães, estará criando um Beagle com pouca capacidade de manter contatos sociais normais. Se o filhote for mantido por longo período em contato com apenas uma única pessoa, isto o tornará uma cão arisco e, algumas vezes, agressivo.

Não é difícil ter um Beagle comportado e obediente, o difícil é encontrar pessoas que saibam educá-lo.

Entre suas características mais admiráveis, a principal é que a raça certamente possui cérebro. O Beagle é vivo o suficiente para ser mais astuto do que qualquer pessoa apática o bastante para permiti-lo. Possui também, muita determinação e não se intimida com facilidade. O Beagle preserva o seu forte sentido de independência. Por causa de sua força de caráter, o Beagle necessita de um adestramento inteligente e de uma condução firme. Acabará assim, reconhecendo o seu dono como o líder e o respeitará, tornando-se seu amigo mais fiel.

Não existem cães ruins, existem simplesmente maus proprietários.

(beagle nascido no Green Day Kennel – foto batida aos 30 dias de idade)

A Educação de um filhote de Beagle

Todos os cães quando filhotes, independentemente da raça, possuem muita energia e podem ser considerados “roedores natos”. E o Beagle não é uma exceção a essa regra. É necessário alguma energia de nossa parte para educá-lo convenientemente.
Educar um Beagle é como educar uma criança. Você precisa descobrir se a arte que ele fez não foi um sinal de protesto por alguma coisa que o deixou magoado. Através de sua inteligência e fidelidade sempre se faz compreender. Principalmente nos primeiros meses de adaptação, é ótimo que se eduque o Beagle a não mexer em vasos, plantas e/ou ornamentos, assim que o cão fizer algo que desagrade seus novos donos deve receber uma represália como um NÃO ou SHIII para que ele saiba que esta fazendo algo errado.   Energia é importante, mas nunca se deve tratar um Beagle com rispidez ou agressão, pois sua personalidade é muito forte e ele poderá repetir o mesmo erro em sinal de protesto e desafio àquele que o maltratou. Uma folha de jornal dobrado em forma de canudo é um instrumento ideal para bater no chão, próximo ao local onde estiver parado, teimando em não obedecer ou fazendo-se de surdo. O barulho o assusta sem feri-lo.
O Beagle deve possuir brinquedos e ossos para distrair sua atenção, isso evitará que ele estrague objetos e faça muita bagunça na casa.

Caso se permita que um Beagle seja desobediente, se os seus menores malfeitos passarem despercebidos, ele acabará tirando partido disso, fazendo exatamente o que quer e quando quer. Aquela pseudoexpressão de inocência, tão enganadora que tanto nos cativa. Como conseguiremos repreender um cãozinho tão atraente quando pratica uma arte, como rasgar uma peça de roupa ou destruir alguma coisa? Se nada fizermos, nosso filhote estará condenado a ser um animal destruidor; E então a falta será somente nossa. Se formos omissos, ou mesmo acharmos engraçadinho, constataremos futuramente que deveríamos tê-lo repreendido desde a infância e que agora, será muito mais difícil corrigi-lo. O mesmo acontece quando ele pula para nos saudar, mesmo depois de ter brincado na chuva, e nós o pegamos e o afagamos. Quando ele estiver mais crescido, suas patinhas enlameadas farão estrago em nossas roupas, e então lamentaremos não tê-lo ensinado desde pequeno.

O beagle nunca deve permanecer acorrentado ou confinado num lugar só por muito tempo, pois isso o tornará arredio e mais desobediente. Os passeios freqüentes na rua, após a vacinação completa, também são úteis para extravasar a energia do Beagle fazendo com que fique mais comportado em casa. Não se deve exercitá-lo em demasia pois mais incansável vai se tornar nas brincadeiras, caminhadas de 1 hora por dia e 30 minutos de uma bela corrida são suficientes para extravasar a energia de um Beagle.
Enfim, lembre-se que o animal age por instinto, por isso, cabe ao proprietário mostrar-lhe o que é certo e o que é errado, sem entretanto exigir mudanças rápidas. E, o mais importante é que, enquanto você estiver tentando ensinar, ele estará tentando aprender. Com muito carinho e compreensão, você educará seu filhote com sucesso e colherá com alegria os frutos do seu amor para com seu novo cãozinho.

Como acostumá-lo a coleira e guia:  Inicialmente, devemos deixá-lo a maior parte do dia com uma coleira no pescoço; certamente ele não apreciará muito, sentará e procurará tirá-la. Mas em pouco tempo deixará de percebê-la, principalmente se ela tiver sido colocada um pouco antes da hora da refeição.

O Beagle- características e personalidade

No padrão da raça, o Beagle é definido como um cão “atrevido, alegre, com energia, determinação e intensa atividade. Sempre alerta, inteligente e de temperamento equilibrado”.
Como um típico cão de caça, destacam-se as características de independência e coragem.
O Beagle é um cão acostumado a viver em matilha, sendo que toda matilha tem um chefe, então ele só precisa encontrar uma pessoa que seja mais firme que ele para que esta venha a conviver bem com a raça. Se ele encontrar uma pessoa que não seja líder, esta não vai conseguir educa-lo.  O Beagle não precisa da atenção do dono o tempo todo, a não ser nos primeiros meses de vida para receber a educação necessária. Ele está sempre disposto a brincar, mas tem suas horas de descanso, onde procura o seu cantinho para ficar só.
Jamais se educa um Beagle com represálias físicas. Como não faz parte da personalidade do Beagle revidar, com mordidas as chateações que sofre, ele simplesmente se faz de surdo, não ouvindo as ordens de quem lhe agrediu.
A energia da raça deverá ser gasta através de passeios diários, após a vacinação completa do filhote, com duração de no mínimo uma hora por dia, ou com exercícios supervisionados, usando com estimulo uma bolinha, brinquedos com corda, frisbie, etc.
O confinamento de um Beagle pode gerar um cão nervoso e até agressivo. Latir em demasia não faz parte das características da raça. Quando recebe amor, carinho e atenção é um cão silencioso. Se ele possuir um comportamento diferente, é porque ele vive na solidão e muitas fezes açoitado.

Ao chegar em casa com o novo filhote ele deverá, na companhia do dono, conhecer os ambientes da casa. O dono (chefe, a pessoa que passara maior parte do tempo com ele) deverá apresentar a ele as coisas que existem na casa e observar o comportamento dele diante se certos objetos. À medida que ele tentar tocar coisas que não devem ser tocadas, a pessoa que estará supervisionando, deverá usar a palavra NÃO ou SHIII com bastante ênfase. Por vários dias,  essa conduta deverá ser repassada juntamente com o filhote. Com certeza ele aprenderá o que pode e o que não pode fazer, e será um adulto muito obediente. O mesmo treinamento deverá ser feito com os que vão viver fora de casa, no quintal ou no jardim.
Muito importante é ocupar o Beagle com brinquedos e ossinhos para que ele possa ter o que fazer quando o seu dono, o chefe, estiver  ausente. Então ele não irá destruir nenhum objeto que não seja seu. Somente quando ele tiver que ficar sozinho, por pouco tempo, delimite seu espaço, por exemplo numa lavanderia, que passará a ser para ele uma “sala de brinquedos”.
O Beagle adora comer, comer, comer… Então nunca o alimente  à mesa. Faça seus horários de refeição sempre longe dele, pois não conseguirá suportar aquele olhar meigo de pedinte. Ele deve receber sua ração sempre nos horários certos, e ela deve ser retirada após meia hora, tenha ele comido ou não. Isso o estimulara a fazer suas refeições nos horários determinados por nós, e assim ele aprenderá mais uma vez que tem um líder.
Por ter um olfato excelente, o Beagle pode se tornar fujão. Ele poderá seguir novos cheiros e acabar se perdendo. Por isso deverá sair a rua para passeios sempre acompanhado e preso a uma guia. Caso queira que ele tenha corridas sem a guia, é sempre bom procurar um local grande e de preferência cercado.
O Beagle, além de um excelente companheiro, há muito tempo vem sendo usado também como cão de trabalho, nos aeroportos internacionais, com muito sucesso ele poderá ser visto farejando a bagagem de passageiros e detectando drogas que por ventura estejam sendo transportadas.
Nos EUA um grupo, o Beagle Brigade, farejam alimentos, possivelmente contaminados que entram no pais desde a década de 60.
O Beagle também pode ser usado nas terapias para crianças e adultos. Devido à sua docilidade e alegria, ele consegue tirar de um rosto triste, um belo sorriso.

Padrão Oficial

CONFEDERAÇÃO BRASILEIRA DE CINOFILIA

Filiada à Fédération Cynologique Internationale

Classificação F.C.I.:

Grupo 6
Seção 1
1.3

Padrão FCI no
– Sabujos Farejadores e Raças Assemelhadas
– Sabujos Farejadores
– Sabujos de Pequeno Porte

161 – 24 de julho de 2000.

País de origem: Grã-Bretanha
Nome no país de origem: Beagle
Utilização: Caça
Sujeito à prova de trabalho para campeonato internacional.

Sergio Meira Lopes de Castro
Presidente da CBKC

Domingos Josué Cruz Setta
Presidente do Conselho Cinotécnico

Tradução: Suzanne Blum

Impresso em: 01 de julho de 2003.

APARÊNCIA GERAL: um cão robusto, de construção compacta, que dá impressão de rusticidade com qualidade.

COMPORTAMENTO / TEMPERAMENTO: é um cão alegre cuja função essencial é a caça à lebre, seguindo seu rastro. Corajoso, com grande atividade, com vigor e determinação. Alerta, inteligente e possui um temperamento equilibrado. Amável e vigilante, não demonstra nem agressividade, nem timidez.

CABEÇA: comprimento moderado. Poderosa sem ser grosseira. Mais refinada nas fêmeas, livre de rugas ou dobras.

REGIÃO CRANIANA
Crânio: ligeiramente arredondado; moderadamente largo, com uma leve crista occipital.

Stop: bem definido, divide a distância entre o occipital e a ponta da trufa o mais semelhante possível.

REGIÃO FACIAL
Trufa: larga; de preferência preta, porém menos pigmentação é permitido em cães de cor mais clara. Narinas largas.

Focinho: não pontudo.

Lábios: razoavelmente desenvolvidos.

Maxilares / Dentes: maxilares fortes com uma perfeita, regular e completa mordedura em tesoura.

Olhos: marrom escuros ou avelã, relativamente grandes; nem profundos, nem proeminentes; bem separados, com expressão meiga e suplicante.

Orelhas: longas, de extremidades arredondadas, as quais devem atingir a ponta da trufa quando esticadas para a frente. Inserção baixa, de textura fina, portadas graciosamente caídas rentes às faces.

PESCOÇO: suficientemente longo, de modo a facilitar o farejamento de trilhas;
ligeiramente arqueado e apresentando pequena barbela.

TRONCO
Dorso: reto e nivelado.

Lombo: curto, porém bem balanceado, forte e flexível.

Peito: nível do peito abaixo do cotovelo. Costelas bem arqueadas e se estendendo perfeitamente para trás.

Linha inferior: moderadamente esgalgada.

CAUDA: forte; de comprimento moderado; inserção alta; portada empinada sem curvar-se sobre o dorso, nem inclinar-se para a frente, desde a raiz. Bem revestida de pêlos, especialmente na sua parte inferior.

MEMBROS
Anteriores: retos, verticais e bem aprumados abaixo do corpo; com boa substância e ossos redondos, sem afinar até os pés.

Ombros: bem angulados, sem serem carregados.

Cotovelos: firmes, não virando nem para fora, nem para dentro. A altura dos cotovelos é quase a metade da altura do solo à cernelha.

Metacarpos: curtos.

Posteriores
Coxas: musculosas.
Joelhos: bem angulados.
Jarretes: firmes, bem descidos e paralelos.
Patas: compactas e firmes. Dedos bem arqueados com almofadas fortes. Não apresenta pés de lebre. Unhas curtas.

MOVIMENTAÇÃO: dorso firme, sem nenhum indício de oscilação. Passadas livres com bom alcance dos anteriores, sem ação alta dos mesmos. Posteriores com forte propulsão. Não deve apresentar uma movimentação presa ou movimento “remador”, nem trançar de frente.

PELAGEM
Pêlo: curto, denso e resistente às intempéries.

COR: todas as cores reconhecidas para os cães Hound, exceto a cor fígado. A
extremidade da cauda deve ser branca.

TAMANHO
altura na cernelha: mínima desejável 33 cm – máxima 40 cm.

FALTAS: qualquer desvio dos termos deste padrão deve ser considerado como falta e penalizado na exata proporção de sua gravidade.

NOTAS:
• os machos devem apresentar os dois testículos, de aparência normal, bem descidos e acomodados na bolsa escrotal.
• todo cão que apresentar qualquer sinal de anomalia física ou de comportamento deve ser desqualificado.

fonte: http://www.cbkc.com.br

Diferença Linhagem Inglesa e Americana

A criação foi mais incentivada na Inglaterra do que em outros países. Depois, com a colonização dos Estados Unidos, alguns exemplares foram levados para lá, iniciando a criação na América. Hoje, os Estados Unidos é tido como um dos melhores criadores de Beagle, tanto que, criadores ingleses chegam até a importar exemplares norte-americanos para seus plantéis. Entre o Beagle inglês e o norte-americano, a única diferença é o tamanho. O norte-americano mede entre 13 e 15 polegadas (33 a 38 cm) e o inglês mede 16 polegadas (40 cm).

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